Por quê mais espécies nos trópicos?

Atualizado: 27 de ago. de 2021

Diversas teorias tentam explicar o aumento da diversidade de espécies das regiões polares e em direção aos trópicos. O Gradiente Latitudinal de Diversidade (GLD) pode ser explicado pelas maiores taxas de especiação nas áreas tropicais, pelo maior tempo que estas regiões tiveram para acumular espéciese pela adaptação da maioria das espécies às condições quentes e úmidas dos trópicos. Embora estudos individuais apontem que cada um destes fatores é capaz de explicar o GLD, é provável que este padrão tenha surgido pela ação conjunta destes fatores. Poucos estudos comparam explicitamente os fatores e mecanismos ecológicos (e.g. adaptação) ou evolutivos (e.g. especiação) na geração deste padrão.

Neste estudo publicado na Global Ecology and Biogeography, investigamos as causas do GLD. Para isso, compilamos dados de cupins da literatura do mundo todo. Este grupo taxonômico é especialmente interessante, os estudos ecológicos prévios do grupo são bastante padronizados (muito mais do que estudos de mamíferos e aves, por exemplo), o que permite entender de maneira precisa o efeito da temperatura e produtividade primária na diversidade. Além disso, o grupo é bastante restrito às áreas tropicais e subtropicais, indicando que os fatores que geram o GLD são especialmente impactantes nos cupins.

Nós vimos que o grupo é mais restrito aos trópicos do que o esperado por diferenças tropicais-temperadas nas taxas de especiação (teoria metabólica). A teoria metabólica sugere que a maior diversidade de espécies em regiões quentes se deve às maiores taxas de especiação nestas regiões, mas também prevê a magnitude deste efeito – que é muito mais fraco do que foi observado por nós. Dois resultados indicam o que pode estar acontecento. Primeiro, os nossos resultados indicam que variáveis climáticas extremas (temperatura mínima, precipitação mínima) são importantes para a maioria das espécies, resultando em maior diversidade nos trópicos. Segundo, quando comparamos a mudança na identidade das espécies de um local para outro (div. Beta), vimos que as espécies substituem uma à outra rapidamente nos trópicos. Esta mudança está associada especialmente à pequenas alterações no ambiente. Coletivamente, estes resultados indicam que a grande diversidade de espécies nos trópicos provavelmente se deve a uma combinação de fatores. Entretanto, a adaptação das espécies às áreas quentes e úmidas e as adaptações mais finas das espécies (nichos mais estreitos) nos trópicos provavelmente têm um impacto desproporcionalmente maior do que diferenças históricas ou de taxas de especiação.

O artigo completo pode ser obtido em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/pdf/10.1111/geb.13167?casa_token=NVCc1SxBSX8AAAAA:0NPlx2oaV1baDekpqdtlqvKfozLK38NHW8jT0yEqC88CjWhXmeMUf9wpEiyGkgTbbv7BbgRGgtESloLk

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